As ruínas antigas de Atenas

Fachada Paternon. Atenas, Grécia.
Detalhe da fachada do Paternon.

Como diz o guia Lonely Planet, o centro de Atenas é um museu a céu aberto. É só andar um pouquinho por ele que já se esbarra em vários sítios arqueológicos. A maior atração é, obviamente, a onipresente Acrópole, ou cidade alta, que pode ser mais bem aproveitada logo pela manhã ou no final da tarde, quando há menos turistas.

Acrópole

As ruínas antigas de Atenas. Acrópole (cidade alta). Grécia. Atenas.
Acrópole, ou cidade alta

O monte onde fica a Acrópole começou a ser ocupado no período neolítico e, em 1400 a.C, a região já era uma importante cidade micênica. Mas seu apogeu mesmo se deu no século V a.C. Depois que seus edifícios foram reduzidos a cinzas durante a Batalha de Salamina (480 a.C.) com os persas, foram transformados em belos templos, conforme a visão de Péricles, seu governante mais famoso e admirado.

A cidade resistiu bem ao Império Romano, mesmo porque os romanos reverenciavam a civilização grega. Mas não teve melhor sorte durante os séculos seguintes. A cidade foi saqueada, ocupada e pilhada por arqueólogos estrangeiros. Sofreu com restaurações ineptas e em decorrência da intensa visitação por turistas, de terremotos e da chuva ácida causada pela poluição que cobre Atenas. O maior golpe, porém, aconteceu em 1687, quando os venezianos atacaram os turcos otomanos, abrindo fogo contra a Acrópole.

Atualmente, a Acrópole é patrimônio da Unesco. Muitas das suas esculturas originais – aquelas que não estão no British Museum – foram removidas para o Museu da Acrópole e substituídas por réplicas.

Explorando a Acrópole

Entra-se na cidade alta pelo Portão de Beulé, assim batizado em homenagem a Ernest Beulé, arqueólogo francês que descobriu as ruínas em 1852. Do lado esquerdo do portão fica a Propilaia e, do lado direito, fica o pequeno Templo de Athena Nike. Nike é a deusa vitória, que serviu de inspiração para a famosa marca de roupas esportivas. Em frente, seguindo pelo Caminho Panatenaico, encontra-se a estátua da deusa Athena Promachos (que quer dizer campeã ou campeão). Ela segura um escudo em sua mão esquerda e uma lança na direita, simbolizando a invencibilidade ateniense frente aos persas.

Continuando pelo Caminho Panatenaico, chega-se ao edifício que, sem sombra de dúvida, é o mais conhecido da Acrópole, o Partenon, que ainda está sendo restaurado. Há quem compare a sua restauração com a construção da Sagrada Família, em Barcelona : ambas parecem que não vão terminar nunca.

As ruínas antigas de Atenas. Partenon. Grécia. Atenas
Partenon

Partenon quer dizer apartamento da virgem e foi dedicado à deusa Athena Parthenos. Tinha um duplo propósito: servir para guardar a grande estátua de Athena e como Casa do Tesouro. A estátua de Athena Polias (Athena da cidade) era considerada uma das maravilhas do mundo antigo. Criada por Fídias, o escultor grego mais famoso da Antiguidade, e completada em 432 a.C., foi levada para Constantinopla em 426 d.C., onde desapareceu. Há uma cópia romana (Athena Varvakeion) exposta no Museu Arqueológico Nacional.

Ao longo da sua história, o Partenon foi convertido em igreja e mesquita. Mais tarde, os otomanos o utilizaram como paiol. Quando atingido pelos venezianos por uma bala de canhão, o edifício foi parcialmente destruído.

Chamam a atenção no Partenon suas colunas dóricas, rigorosamente desenhadas para darem a ilusão de ótica de serem retas. Também merecem destaque os ornamentos existentes em seus frontões, métopas e frisos, sobretudo as esculturas tridimensionais nas quais trabalharam os escultores Agoracitos e Alcamenes, supervisionados por Fídias.

Em um dos frontões triangulares, foi feita a representação do concurso entre Athena e Poseidon para ganhar a proteção da cidade. Segundo a mitologia, aquele deus que desse o presente mais útil para a cidade, venceria a competição. Poseidon deu uma fonte de água salgada, enquanto Athena deu uma oliveira. Ganhou a deusa da sabedoria. No outro frontão, está representado o nascimento de Athena a partir da cabeça de Zeus.

As ruínas antigas de Atenas. Detalhe da fachada do Partenon. Grécia. Atenas.
Detalhe da fachada do Partenon

Por sua vez, nas métopas encontram-se cenas de batalhas, incluindo a luta entre os deuses olímpicos e os gigantes, a batalha de Teseu e os jovens atenienses contra as amazonas, o saque de Troia e a luta entre os lápitas e os centauros.

Já nos frisos jônicos, foi feita a representação da Procissão Panatenaica, clímax do Festival Panatenaico que venerava a deusa Athena. O friso foi muito danificado pela explosão de 1687. Do que sobrou, grande parte foi levada por Lorde Elgin, embaixador britânico para o império Otomano, e se encontra, hoje em dia, em exposição no British Museum. A Grécia tenta há anos a devolução dessas peças, sem sucesso, na polêmica conhecida como Parthenon Marbles.

Do lado oposto do Partenon, está o Erecteu, construído no local mais sagrado da Acrópole. Erecteu teria sido um rei de Atenas e o templo servia para o culto de Athena, Poseidon e Erecteu. Segundo a lenda, teria sido lá que Poseidon teria enfiado seu tridente no solo, criando uma fonte de água salgada, e que Athena teria feito a oliveira.

As ruínas antigas de Atenas. Erecteu. Partenon. Grécia. Atenas
Erecteu

O edifício é ladeado pelas esculturas das Carátidas e pelo Templo de Poseidon e, na frente dele, encontra-se o presente de Athena: uma oliveira. As Carátidas teriam sido modeladas a partir das mulheres de Karyai, a atual Karyes da região da Lacônia, na Península do Peloponeso. As estátuas originais, com exceção de uma que foi levada pelo Lorde Elgin, estão em exposição no Museu da Acrópole.

As ruínas antigas de Atenas. Escultura das Carátidas. Grécia. Atenas
Escultura das Carátidas

Explorando as cercanias da Acrópole

Ainda dentro do complexo da Acrópole, na subida para a cidade alta, pode-se ver o Odeon de Herodes Atticus. Na Antiguidade, Odeon era um espaço menor que os teatros, próprio para apreciações musicais. Construído em 161 d.C. pelo magnata romano Herodes Atticus em memória de sua esposa, Regilla, ainda é utilizado para apresentações musicais e teatrais. Vale muito a pena checar a programação e assistir a um espetáculo no local, principalmente se você estiver na cidade entre julho e agosto, quando acontece o Festival Helênico no Odeon e no Teatro de Epidauro. Garanto que será uma das experiências mais fascinantes da sua vida!

As ruínas antigas de Atenas. Odeon de Herodes Atticus. Grécias. Atenas
Odeon de Herodes Atticus.

Também na parte baixa do complexo, podem-se visitar as ruínas do Teatro de Dionísio, o primeiro do mundo. Nele era realizado o Festival da Grande Dionisíaca.

As ruínas antigas de Antenas. Teatro de Dionísio. Grécia. Atenas
Teatro de Dionísio.

Impossível não imaginar as comédias de Aristófanes e as tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes sendo apresentadas no local. Como não lembrar de Édipo, Medeia, Antígona e de tantos outros personagens que ainda hoje fazem parte de nossas referências culturais?

Ágora

Perto da Acrópole, está a Ágora, o centro administrativo da antiga Atenas. Ela pode ser acessada pelo Areópago (“Colina de Ares”, em homenagem ao deus da guerra), um enorme monólito de mármore medindo 115 m de altura. Também pode-se entrar nela dando-se uma “volta” (assim mesmo!) pelo novo calçadão que circunda a Acrópole, construído onde antes era uma movimentada avenida.

As ruínas antigas de Atenas. Ágora. Grécia. Atenas
Ágora

A Ágora foi repetidamente destruída durante os séculos, primeiro pelos persas, depois pelos romanos sob o comando de Sula, pelos herúlios e pelos eslavos. Após um período de abandono, um bairro bizantino foi erguido no local, que também foi destruído no começo do século XIII por Leon Sgouros, governante de Nauplion, e durante a Guerra de Independência em 1826-1827. Um bairro moderno foi erguido sobre as ruínas, mas as escavações já começaram no final do século XIX.

As ruínas antigas de Atenas. Ágora. Templo de Hefesto. Grécia. Atenas.
Ágora com vista para o Templo de Hefesto.

Dentro da Ágora, está o Templo de Hefesto, o templo dórico mais bem preservado de Atenas e que é, para mim, o mais bonito da cidade.

As
Templo de Hefesto.

Hefesto, na mitologia grega, era o deus da tecnologia, dos ferreiros, dos artesãos, dos escultores, dos metais, da metalurgia, do fogo e dos vulcões. O templo a ele dedicado foi um dos primeiros do projeto de Péricles para a renovação de Atenas. Construído em 449 a.C. por Iktinos, um dos arquitetos do Partenon, possui 34 colunas. No friso do lado leste, estão retratados 9 dos 12 trabalhos de Hércules.

As ruínas antigas de Atenas. Detalhe do Templo de Hefesto. Grécia. Atenas
Fachada do Templo de Hefesto

O templo foi convertido em igreja em 1300 d.C., sendo que o último serviço foi em 1834, em homenagem à chegada do rei Otto em Atenas.

Na Ágora também chama a atenção a Estoa de Attalos, construída pelo rei Attalos II de Pérgamo (159-138 a.C.). Estoa é um caminho coberto ou um pórtico. A de Attalos, que contém 45 colunas dóricas na parte de baixo e colunas jônicas na parte de cima, é considerada o primeiro shopping. Dentro dela foi montado o Museu da Ágora, que foi inteiramente restaurado para a Olimpíada de 2004. As peças mais importantes em exibição são as referentes à democracia ateniense.

As ruínas antigas de Atenas. Estoa de Attalos. Grécia. Atenas.
Estoa de Attalos.

No local, há outra estoa, a de Zeus Eleutherios, um dos lugares onde Sócrates expunha sua filosofia.

Também fazem parte do sítio arqueológico a Igreja dos Apóstolos Sagrados, construída no século X para comemorar os ensinamentos de São Paulo na Ágora, o Tholos, onde as cabeças do governo se reuniam, e o Novo Bouleuterion (Casa do Conselho), onde se reunia o Senado.

Outras ruínas ficam lá por perto, como a Ágora romana, financiada por Júlio César, e Torre dos Ventos, construída no século I d.C. pelo astrônomo sírio Andrônico.

As ruínas antigas de Atenas. Torre dos Ventos. Grécia. Atenas.
Torre dos Ventos

Templo do Zeus Olímpico

O Templo do Zeus Olímpico, que também não fica longe, trata-se do maior templo de Atenas.

As ruínas antigas de Atenas. Templo do Zeus Olímpico. Grécia. Atenas.
Templo do Zeus Olímpico.

Sua construção começou no século VI a.C. e só foi terminada pelo imperador romano Adriano em 131 d.C.

Ruínas antigas de Atenas. Templo do Zeus Olímpico. Grécia, Atenas.
Templo do Zeus Olímpico.

Era formado por 104 colunas coríntias de 17 m de altura e diâmetro na base de 1,7m, sendo que apenas 15 delas ainda remanescem.

Arco e Biblioteca de Adriano

Por falar em Adriano, é ele quem dá nome ao arco que fica perto do Templo do Zeus Olímpico e também a uma biblioteca, também próxima. O Arco de Adriano foi construído em 132 d.C, provavelmente para comemorar a consagração do Templo de Zeus Olímpico.

As ruínas antigas de Atenas. Arco e Biblioteca de Adriano. Grécia. Atenas.
Arco e Biblioteca de Adriano.

Já a Biblioteca de Adriano ou Biblioteca das Cem Colunas foi a maior estrutura erguida pelo imperador. Foi construída em 132 d.C. para guardar a sua extensa coleção de livros e também para funcionar como sala de leitura e centro de convenções. Teve vida curta, porém, sendo destruída em 267 d.C. pelos hérulos, tribo germânica que invadiu o Império Romano vindo do sul da Escandinávia.

Estádio Panatenaico

O Estádio Panatenaico não pode mais ser chamado de ruína. Isso porque, apesar de ter sido um estádio construído durante o século IV a.C., onde eram realizadas competições com corredores nus na Antiguidade, foi restaurado para a Olimpíada de 1896, a primeira da era moderna. Foi nele, também, que o brasileiro Vanderlei Cordeiro entrou fazendo seu aviãozinho na maratona da Olimpíada de 2004.

As ruínas antigas de Atenas. Estádio Panatenaico. Grécia. Atenas.
Estádio Panatenaico

Não é necessário pagar a entrada para se ver dentro do estádio. A partir da avenida principal onde ele está situado ou do parque ao seu lado, no Monte Ardettos, já dá para ter uma bela noção de como ele é. De qualquer maneira, o museu existente dentro dele, dedicado às Olimpíadas, é bem interessante.

As ruínas antigas de Atenas. Estádio Panatenaico. Grécia. Atenas.
Estádio Panatenaico.

Além dessas ruínas, que são as principais, há várias outras espalhadas pela cidade, sempre acompanhadas de uma placa com explicações. Atenas é, de fato, um museu a céu aberto.

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