Diário: Mecânica de Bike para Mulheres (parte I)

Estou tão tomada pelas novas informações do curso de Mecânica de Bike que está até difícil fazer outras coisas. E escrever? Vixi! Pior ainda? Afinal, como é possível fazer um texto coerente (não estou afirmando que meus textos anteriores são!), pensar nas construções de frases, defender alguma tese quando a mente é tomada por elos, correntes, tubos, rodas, freio, pressão de um segmento de raio…

A semana de curso está tão intensa que tenho até sonhado com ele. E tendo pesadelo. Uma noite dessas, acordei rezando com a impressão de que maus espíritos me impediam de montar uma bicicleta. É, eu sei, não será com reza que serei bem-sucedida na montagem. Apenas com a prática, o treino e a paciência. Paciência e muito empenho!

E assim foram os primeiros quatro dias de curso:

Feição compenetrada e cola na mão para emendar a câmara do pneu.

1º dia (segunda-feira). Dia de confirmar que de bicicleta eu não entendo nada, nadinha. Mente aberta e pronta para receber todas as informações que cheguem a mim. Afastar pensamentos negativos e bloqueios de que eu não conseguirei aprender nada, respirar fundo e aceitar a ignorância. Informação super-relevante: é preciso limpar a corrente da bicicleta! Putz, talvez seja por isso que uma das marchas da minha própria bike venha falhando ultimamente. Vou fazer o teste no dia seguinte.

2º dia (terça-feira). Bem, não limpei a corrente completamente, mas tirei o excesso de sujeira e a lubrifiquei. Pedalei um pouquinho pela garagem e percebi como as marchas estavam entrando mais facilmente!

À noite, de volta à sala de aula. Hora de tocar nos membros da bicicleta, tirar e colocar roda, emendar câmara… Superando o desconhecimento e a falta de habilidade manual, consegui cumprir todas as tarefas. Nossa, os professores são bons mesmos!!!

Módulo básico do curso finalizado e certificado nas mãos.

3º dia (quarta-feira). Faz tempo que eu não tenho a rotina de trabalhar de manhã e estudar à noite, e o cansaço da semana agitada começa a agir. Os temas das aulas ficam cada vez mais profundos e exigem que a mente esteja ainda mais atenta. A tarefa do dia é limpar os cubos da bicicleta.

Meu primeiro desafio: saber onde fica o tal cubo! Quando eu ia me atrever e pedir para ser apresentada, o professor apontou para o objeto. Mas o cubo não deveria ter formato de cubo? Não verbalizo essa dúvida, não é hora de entrar em questões geométricas ou ideias filosóficas sobre o que é um cubo ou qual a sua essência.

Volto ao presente para observar o procedimento de acesso ao cubo que não é cúbico. Parece tão simples quando o professor faz. Hora de formar duplas e começar a tarefa prática. Eu primeiro observo Natale – com quem faço par – mexendo, ajudo em uma coisa ou outra. São muitas etapas, muitos detalhes que não podem ser ignorados. É preciso seguir uma logística, ser organizada, pensar na estrutura e encaixe de todos os elementos que compõem a roda (cassete, roscas, rolamento etc.) e quais as ferramentas necessárias para realizar cada um dos movimentos.

Logo logo é a minha vez… Ok, acho que estou preparada, mesmo sabendo que me atrapalharei um pouco. Mas o professor se aproxima e me diz que, por causa do horário avançado, eu farei a limpeza do cubo na próxima aula. Não sei se fico aliviada ou não. Afinal, não ter praticado no dia da explicação aumenta a probabilidade de esquecer alguma informação… Bem, mas não teve jeito. Quase 23h, hora de pedalar de volta para casa.

4º dia (quinta-feira). Sem escapatória, é preciso encarar a limpeza do cubo. Mas, agora, imagina o seu pior pesadelo. Ontem, cada mulher ficou responsável pela limpeza de um cubo, e só faltou eu cumprir essa tarefa. Então, hoje, enquanto eu corria atrás do prejuízo, todo o restante da sala ficou me observando: professor, assistente, colegas de turma… Desmonta roda, pega ferramenta, tira porca, tira cassete, limpa as esferas! Coloca tudo de volta. Af! Que pressão! Mas não contente, ainda tive de aprender a alinhar gancheira, inserir pedivela, colocar câmbio traseiro, regular marchas…

Amanhã é o último dia do módulo intermediário e, com a chegada do fim de semana, vou tentar estudar um pouco. Desmontar a minha própria bike? Não sei se sou tão audaciosa assim. Talvez devesse pegar uma outra para treinar… Alguém tem uma bike velha aí para me emprestar?

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Vox Populi

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