Mecânica de Bike para Mulheres

Muitos dizem que ninguém muda. Já eu acredito que as pessoas podem se transformar, desenvolver habilidades e espalhar conhecimentos, possibilitando elos e correntes do bem.

Não acreditar nisso seria negar a minha própria mudança e ignorar toda a movimentação que veio junto. Não acreditar nisso seria anular diversas histórias que conheço de alterações de caminhos de vida.

Há apenas cinco anos eu não sabia me equilibrar em cima de uma bicicleta, aprendi. Há um ano eu duvidava que gostava de pedalar, hoje se precisar ficar uma semana parada já fico inquieta. E após descobrir que necessito conviver com a bike, veio um desejo de me embrenhar em suas entranhas, conhecer suas partes e seus movimentos, aprender a cuidar daquilo que me é caro.

Por isso foi com imensa felicidade que recebi a notícia de ter ganhado uma bolsa de estudos para aprender sobre mecânica de bicicleta.

Oferecida pela Bike123, consegui ser uma entre as dez mulheres contempladas (sim, a bolsa era só para mulheres!!). Sinceramente, ainda me pergunto como consegui tal façanha. As histórias das relações de minhas colegas com a bicicleta são muito mais antigas do que a minha e, ao meu ver, até mais fortes.

Mas não vou bater muito na questão do por que fui escolhida, senão a Bike123 pode acabar percebendo o engano e me enviar para casa mais cedo.

O Curso

Não sei nem mesmo reparar uma câmara; se um dia a minha estourar, eu simplesmente não saberei o que fazer. Mas logo isso mudará, pois acabo de voltar do meu primeiro dia de aula (no total serão oito). E o que eu descobri hoje? Que sou tão desprovida de conhecimento “bicicletável” que é risível.

Como um tipo de rosca influencia no torque? Torque? O que é torque? E torquímetro? Nossa, quero uma ferramenta dessas.

Tipos de freios. Blocagem da roda. Maior e menor pinhão. Gancheira, coroas, corrente… Corrente! Ah, corrente eu sei o que é! Tem de limpar a corrente? Ah, não sabia. Medir se ela ainda está boa? CC2 chain checker. Oi? Ah, essa ferramenta é interessante. Acho que eu quero uma também. Quick link, missing link, power…

Dia 1 finalizado. Mas já? A mente está agitada com tanta informação nova. Como absorvê-la e deixar que o conhecimento se torne habilidade, que se tornará transformação?

Pego a bike e volto para casa. No meio do caminho, uma chuvinha fina vem ao meu encontro. Que delícia! Quando foi que eu comecei a gostar de tomar chuva, me pergunto? Repasso o aprendizado pela mente. No próximo dia teremos aula prática. Ops! Será que eu deveria ter avisado que eu sou péssima em habilidades manuais? Shhhh… é melhor falar baixo e não enfatizar isso.

Afinal, posso não saber nada sobre conserto de bike e ser desprovida de certas habilidades motoras, porém não posso esquecer de que eu acredito em transformações e, teimosa que sou, é bem capaz de eu me sair bem desse curso aí!

E para poder refletir sobre esse processo, vou montar um diário e, no final, compartilhar aqui qual foi o meu grande aprendizado dessa nova aventura em que me joguei. E que aventura, não? Mas quando deixamos que as transformações ocorram, coisas inimagináveis no passado começam a acontecer. E que delícia é aprender a aproveitar esses momentos e se permitir se transformar ainda mais por essas novidades.

Texto relacionado:

Diário – Mecânica de Bike para Mulheres (parte I)

Diário – Mecânica de Bike para Mulheres (parte II)

Vox Populi

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