O enigma Tostines

Wanderlust. Spiritus Mundi.

Sabe aquela história do que vem primeiro, o ovo ou a galinha? Ou aquela da bolacha Tostines, se ela vende mais porque é fresquinha ou se é fresquinha porque vende mais? Eu também enfrento uma questão do tipo “decifra-me ou devoro-te”.

Volta e meia me pergunto: será que já nasci querendo viajar ou foi ele que criou em mim a vontade de viajar? Qual a natureza deste desejo? O meu Wanderlust (ah, esses alemães que arrumam palavras para explicar tudo…) é inato? Ou, ao contrário, foi plantado em mim, tal qual o sonho dentro do sonho dentro do sonho do filme A Origem?

Ainda não consegui decifrar o enigma, mas, seja lá qual for a resposta correta, o fato é que sempre lembro de mim com este desejo de viajar. E os cartões postais que ele me mandava de cada país que visitava imprimiam em mim, mais e mais, esta vontade-quase-necessidade.

Faz tempo que ele viajou para longe. Mesmo assim, em cada lugar que vou, penso em lhe mandar o meu próprio postal, que escrevo mentalmente:

“Hoje cruzei o Círculo Polar Ártico. Sei que você não gosta de frio, mas você iria adorar o cenário e o champanhe que o capitão do navio nos serviu.”

“Ontem cheguei ao deserto com uma gripe horrível. Depois de um jantar em que passei o tempo todo espirrando e de uma noite como há muito tempo não dormia, acordei curada.”

Tinha um elefante no safari de hoje cedo, mas ele estava tão distante, mas tão distante, que só o enxerguei depois que dei um zoom na câmera. Descobri que o real sentido dos safaris não é ver os bichos, mas encontrá-los.”

Não botei no papel nada disso, nem lhe enviei um postal sequer. Acho que ele nem iria se interessar. Será? Quero acreditar que ele gostaria de me ouvir contar o que suponho ser “as minhas aventuras”. Ou iria achar tudo muito pueril?

De qualquer maneira, viajar, para mim, se tornou um meio de tentar encontrá-lo, ele, que é tão fugidio quanto os animais do safari. Talvez eu o reveja um dia, naquela que já chamaram de “derradeira viagem”.

Enquanto não resolvo a questão da vida após a morte, permaneço com o enigma me devorando: viajo, porque sempre gostei de viajar, ou viajo, porque o meu irmão, já falecido, não pode mais viajar?     

4 Comentário

  1. Uma motivação ou uma justificativa? O enigma é muito claro… você viaja porque é amorosa! Amor ao irmão, à aventura, à imagem e à palavra!

    • Elaine, sua fofa, seus comentários são muito legais! A propósito, dê uma olhadinha no outros posts. Você encontrará uma pessoa muito especial em uma das fotos! 😍😘

  2. Belo e emocionante artigo, Marcia! Fiquei até arrepiada no final … Você abraça o mundo porque tem, em essência, algo de muito bom para compartilhar. Beijos! Continue com o blog!! Vou acompanhar 😉

    • Que legal que você gostou, Tessie! Agora vou continuar sim e espero que você goste dos nossos futuros posts. Beijinho

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