Objetividade alemã – Berlim em três dias

Como conhecer um lugar sem qualquer planejamento ou conhecimento prévio? Foi praticamente assim que eu desembarquei em Berlim. Resolvi ir para a cidade apenas como um ponto de ligação entre a viagem de ônibus que faria de Amsterdam à Praga. Berlim foi inserida apenas para diminuir o cansaço do trajeto e foi por isso que decidi ir para lá apenas dois dias antes de desembarcar na capital alemã. E aí veio a ajuda de amigos que já conheciam a cidade. Escreve para um, pede opinião para outro. Mesmo sem um roteiro montado, sabia (mais ou menos) como poderia aproveitar a cidade.

O período foi curto. Berlim merecia muito mais. No entanto, deu para dar uma de turista e conhecer as principais atrações e, ainda, ficar hospedada num prédio no estilo soviético em um apartamento de pessoas que me acolheram num sistema similar ao Couchsurfing.

Conhecer Berlim não é complicado. A cidade é preparada para receber turista, há bilhetes de transporte público que valem por várias viagens até as 24h do dia em que foram comprados e, se quiser, também pode utilizar a bicicleta como meio de transporte, pois possui ótima rede cicloviária.

Berlim pode ser dura à primeira vista, mas sabe se tornar irresistivelmente inesquecível.

Portão Brandenburg

Em frente à Pariser Platz, no centro de Berlim, encontra-se um dos mais importantes marcos de Berlim, o Brandenburger Tor (Brandenburg Gate, em inglês). Sua estrutura é monumental: 26 metros de altura, 6 colunas no estilo neoclássico e 11 metros de profundidade. Em cima do muro, uma escultura de quadriga, conduzida pela deusa Irene (a deusa da paz) e com quatro cavalos na frente.

Originalmente construído entre 1788 e 1791, Brandenburg era um dos dezoito portões de acesso à cidade. Durante a Guerra Fria, após ter sofrido severos danos na Segunda Guerra Mundial, o portão ficou isolado. Apenas com a Queda do Muro de Berlim ele pôde ser restaurado. Brandenburg representa unidade e liberdade e, atualmente, é cenário dos mais importantes eventos de Berlim.

Catedral de Berlim

Apesar de a história da Catedral de Berlim, a Berliner Dom, ter início no século XV, sua atual construção foi erguida em 1894. Localizada em Mitte, na Ilha dos Museus e a vinte minutos de Brandenburg Gate, a Catedral de Berlim é mais uma joia histórica no centro da cidade. Com traços dos estilos barroco e renascentista, seu espetacular domo fica a 114 metros de altura e a cripta dos Hohenzollern contém 94 tumbas datadas entre o século XVI e XX. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma bomba incendiária atingiu a catedral destruindo o domo e espalhando o incêndio até a cripta no subterrâneo. Não bastasse a destruição causada pela bomba, a catedral foi ainda mais danificada pelo vandalismo.

Após longo período de restauração, a catedral foi reinaugurada em 1993, com toda a beleza que Berlim merece.

Catedral Berliner Dom. Catedral de Berlim

Museu Altes

Ao lado de outras importantes construções na Ilha dos Museus, o Museu Antigo (Altes Museum) é um dos Patrimônios Culturais da Unesco em Berlim. Inaugurado em 1830, sua fachada possui dezoito colunas e um enorme átrio. O prédio abriga um dos mais importantes acervos da Antiguidade Clássica.

Se pretende visitar ao menos dois museus da Ilha, vale a pena comprar o Bereichskarte, um ingresso que dá acesso aos cinco museus, porém, ele é válido apenas por um dia. Outra opção ainda mais atraente é o Museum Pass Berlin, válido por três dias consecutivos e que dá acesso a mais de trinta museus da cidade.
Altes Museum (Museu Antigo) - Berlim

TV Tower

Dizem que a TV Tower (Berliner Fernschturn ) fornece a mais linda vista de Berlim. Eu mesma não tive a oportunidade (entenda “$$”) para subir e comprovar.

Há diferentes valores para você apreciar a paisagem da cidade que variam de acordo com a altura da vista e o horário em que pretende subir. Ah, é preciso comprar a entrada com antecedência pelo site da TV Tower. Se quiser, também pode apreciar a vista no bar ou restaurante da torre.

Reichstag

Outro edifício histórico e bastante visitado é o Reichstag, o Parlamento alemão. Construído em 1894, o edifício, que sofreu severos danos com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, somente foi totalmente restaurado em 1999.

É permitida a visita ao domo de vidro, que possibilita ver tanto o salão dos congressistas como ter uma visão de 360 graus de Berlim. No entanto, é necessário agendar a visita com, no mínimo, dois dias de antecedência e aguardar uma mensagem de confirmação. Eu havia reservado, mas como não recebi a mensagem, não pude entrar no horário pretendido. Por sorte, enquanto eu estava na fila para tentar agendar para as vagas remanescentes, algumas pessoas foram chamadas de última hora para entrar no Reichstag… E eu consegui um lugarzinho nessa turma.

Domo de vidro. Palácio do Reichstag.

Memorial aos Judeus Mortos da Europa

O Denkmal Für die ermordeten Juden Europas não fica no centro de Berlim à toa. No coração da cidade, próximo ao Brandeburg Gate, o memorial é uma homenagem aos mais de seis milhões de judeus vítimas do Holocausto. No subsolo, estão expostos documentos relatando o horror daquela época. Nomes, famílias e histórias de vidas tiradas também estão por toda a parte… Impactante e, ao mesmo tempo, necessário para que isso não seja esquecido. Nem venha a se repetir.

Memorial do Muro de Berlim

Em Bernauer Straβe, encontra-se o Memorial do Muro de Berlim, Gedenskstätte Berliner Mauer, com o que sobrou do muro. Berlim foi dividida durante quase trinta anos (1961-1989), tendo o muro como o símbolo da Guerra Fria. Atualmente, é possível encontrar traços do muro por toda Berlim, mas é no Memorial que se encontra o último 1,4 km do muro preservado.

Muro de Berlim.

Checkpoint Charlie

Em Friedrichstraße 43-45, encontra-se um dos postos militares que ligavam a Berlim Ocidental à Oriental. Era apenas por esse posto que membros dos Aliados podiam ir para a parte oriental da cidade. Essa atração turística é conservada pelo Mauermuseum, que também expõem artefatos utilizados em tentativas de fuga da Berlim Oriental.

Na placa, no lado da ex-Berlim Ocidental, lê-se: “Você está saindo do setor americano”.

Gedächtniskirche

O local mais visitado de Berlim, a igreja protestante Kaiser Wilhelm Memorial Church, construída em 1890, foi danificada por um bombardeio que atingiu Berlim em 1943. Mesmo após a guerra e a queda do Muro de Berlim, optou-se por não restaurá-la totalmente para tornar-se um memorial e marco contra a guerra.

As rachaduras e marcas de bombas e tiros permanecem nas ruínas como cicatrizes que não curam e não permitem que os horrores da Segunda Guerra sejam esquecidos. Ao lado do memorial, uma igreja menor e mais moderna, envolta pelo azul de seus vidros, é onde acontecem as missas atualmente.

 

Destroços de Gedächtniskirche.

Siegessäule

No centro de uma rotatória, no Tiergarten, encontra-se a Coluna da Vitória de Berlim (Siegessäule). Erguida em comemoração à vitória militar da Prússia, no século XIX, localizava-se originalmente em frente ao Reichstag (Platz der Republik). Em 1938, foi realocada pelos nazistas para onde se encontra até hoje. No topo da coluna de 67 metros, está a estatua da deusa da Vitória, escultura conhecida como Goldelse (Golden Else).

Goldeslse – Coluna da Vitória de Berlim.

Kreuzberg

Na década de 1970, era um dos bairros mais pobres da Alemanha Ocidental. Atualmente é centro cultural, com galerias de arte, muita arte de rua e bares descolados. É o bairro onde fica o Checkpoint Charlie, o Viktoriapark e diversos grafites. Um lugar muito agradável de andar e bem mais calmo que o centro da cidade.

Treptower Park e Memorial de Guerra Soviético

Treptower Park.

Treptower Park é um lugar incrível e muito bem cuidado. Ótimo para passar o dia e saborear um sorvete à beira do rio Spree. É também o lugar que fica, na minha opinião, um dos mais impactantes monumentos em Berlim, o Memorial de Guerra Soviético de Treptower Park. Construído entre 1946 e 1949, este é um dos três memoriais construídos em homenagem aos milhares de soldados soviéticos mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Os outros dois memoriais ficam em Schönholzer Heide e Tiergarten.

A beleza do local fica por conta do jardim e das gigantescas estátuas que o cercam. Na entrada, a estátua de Mutter Heimar, a Mãe Rússia, chora por seus filhos mortos. O Memorial não é apenas um lugar simbólico; lá também estão enterrados mais de 5 mil soldados.

A escultura principal, ao fundo do jardim, fica no alto de uma escada e possui 12 metros de altura. O soldado carrega uma espada em uma das mãos e leva uma criança no colo.

Memorial do Soldado Soviético – Treptower Park.

Currywurst do Konnopke’s Imbiβ

Ao lado da estação de metrô Eberswalder, na avenida Schönhauser Allee 44B, embaixo do viaduto, está o Konnopke’s Imbiβ. E é nas mesas que ficam no meio da avenida que você poderá provar uma das mais espetaculares salsichas alemãs, com um ketchup que nada lembra aquele comprado no supermercado e salpicado por curry. Acompanhado com fritas… Delícia.

Currywurst

Para quem não havia planejado ir à Berlim e ter desembarcado na cidade meio no susto, a cidade foi uma das surpresas mais positivas que tive durante meu período sabático. Ela tem personalidade forte e isso é comprovado em todos os lugares: parques, cemitérios, intervenções artísticas. Não raro, encontram-se partes do antigo muro de Berlim pela cidade. É a História fazendo-se presente e questionando o que se aprendeu com o que passou. Será que aprendemos alguma coisa?

Berlim é severa e receptiva. É dura e afável. Ao mesmo tempo em que é agitada, não muito distante do centro é possível encontrar um bairro só de pequenos jardins e ruas totalmente silenciosas. E, apesar de não ter me dado tempo para dormir em nenhum de seus muitos parques, me deixou tirar um rápido cochilo no meio da Alexanderplatz, ali mesmo, entre todo o agito daquele local. Ela reclamou por eu tê-la quase ignorado, me recebeu num tempo ruim e, durante a viagem, me deu pequenos sustos para eu nunca mais deixá-la de canto. Ela cobrou caro, mas o que me deixou foi um gostinho de quero mais Berlim, muito mais.

Vox Populi

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