Passeios nos arredores de Quito: Lagoa do Quilotoa

Vista Panorâmica da Laguna do Quilotoa

Apesar de ter sido o tour que fiz que ficava mais distante de Quito, foi o de que mais gostei. Mais uma vez, fui pela Ecosportour, que continuou prestando um ótimo serviço.

A vendedora mais feliz do Equador

Na realidade, o próprio caminho até a Laguna de Quilotoa já vale muito a pena. Ele segue mais ao menos a mesma rota que vai para o Vulcão Cotopaxi, mas segue mais adiante, passando por vales verdinhos e cheios de povoados indígenas. Em vários desses povoados, há mercados em determinados dias da semana. Parece que o mais legal é o de Zumbahua, que ocorre aos sábados. No domingo, dia em que fiz o passeio, foi dia do mercado de Pujilí, que é bem interessante também.

Os mercados dessas cidades são mais autênticos do que o de Otavalo, porque servem mais os locais, não os turistas. Por isso, fotos dos locais não costumam ser bem-vindas, com exceção de uma vendedora, que abriu um sorrisão para mim quando percebeu que eu estava tirando foto dela. Juro que ganhei o dia depois de ver a felicidade dela!

Em Pujilí, experimentamos diversos tipos de feijão, um mais delicioso do que o outro. Tinha até um que se parecia com uma pequena batata. Também tomamos uma bebida fermentada servida quente. Deve ser algum tipo de chicha, mas não me lembro mais do nome. Estava gostosa.

Mercado de Pujilí

Depois disso, passamos pela Galeria de Arte do pintor Julio Toaquiza, localizada em Tigua. O pintor é responsável pelas reproduções mais famosas da paisagem equatoriana. São quadros bem coloridos, representando temas locais, como a vida da população nativa, os animais mais comuns na região, os vulcões, os lagos etc.

Máscaras na Galeria de Arte do pintor Julio Toaquiza, em Tigua

Antes de ter o seu talento descoberto, Toaquiza era apenas um trabalhador pobre, que pintava tambores para um negociador de antiguidades. Sua obra começou a fazer sucesso durante os anos 1970 e, desde então uma verdadeira escola de artistas se desenvolveu em Tigua. Vi quadros seus (ou imitações de seu estilo naif) sendo vendidos em tudo quanto é lugar. Acho que foi por isso que, na sua galeria, acabei me encantando mais por suas máscaras.

Por fim, chegamos ao lugar que me despertava mais curiosidade: a Laguna do Quilotoa. Hoje em dia, há uma estrutura razoavelmente bem organizada para receber os turistas, com estacionamentos, restaurantes, hotéis e hostels. Antes não havia nada disso, nem a estrada que utilizamos até lá. Por isso, demorava-se horas para ir de Quito até o Quilotoa.

Foi o lugar mais bonito em que estive nessa viagem. A lagoa, que, dependendo da luz do sol, pode ser azul, verde ou esmeralda, formou-se dentro do vulcão Quilotoa, que atualmente se encontra inativo. Passando a entrada do parque, há deques de onde se pode ver a lagoa, em todo o seu esplendor.

Panorâmica da Laguna do Quilotoa

Há ainda uma trilha para quem quiser descer até a beira da lagoa. Mas o caminho é bem cansativo. Começa em 3.880m e desce até 3.500m. Os que não aguentam subir de volta, alugam cavalos e burros. Por isso, o “trânsito” pode ficar meio complicado em alguns momentos. É gente subindo. É gente descendo. É cavalo subindo. É cavalo descendo.

Trânsito de cavalos na descida do Quilotoa
Cachorro descansando à beira da Laguna do Quilotoa

E às vezes há alguns que empacam no meio do caminho. Tinha um nervosinho que acabou levando um grito do dono e correu na minha direção. Como estava de costas e não vi, levei uma narigada. Fora alguns cavalos que vão se aliviando pelo meio do caminho… Mesmo assim, é IMPERDÍVEL.

À beira da lagoa, dá para descansar, fazer piquenique, comer no restaurante e até andar de caiaque no lago. 

Na volta para Quito, paramos na residência de uma família indígena, que ainda mora numa casa construída à moda antiga e que fala Quíchua. Eles sobrevivem da criação dos cuys em gaiolas. Os cuys são os porquinhos-da-índia, considerados uma iguaria local e servidos em diversos restaurantes, principalmente aqueles que recebem turistas. O seu consumo começou, porque, antes da chegada dos espanhóis, os povos andinos não dispunham de muitas fontes de proteína animal. Hoje em dia, no entanto, os indígenas só os comem em ocasiões especiais.

Família local

Quanto à casa em si, confesso que achei um lugar bem inóspito para se viver, mesmo porque não achei a construção muito resistente ao frio e à umidade, bem intensos naquela região. Tanto é assim que as bochechas dos locais são sempre vermelhas. Também achei engraçado que a família havia adotado vários cuys como pets, que viviam dentro da casa.

O chefe da família nos serviu, ainda, Chaguarmishqui, uma aguardente de origem ancestral, feita do penco (agave), mesma planta utilizada pelos mexicanos para fazer a tequila.

Também paramos para ver o Cânion de Zumbahua ou Cânion do Rio Toachi, formado por fragmentos de rochas sólidas decorrentes de erupções do Quilotoa.

Cânion de Zumbahua

Para mim, esse passeio fechou com chave de ouro a minha estadia em Quito. Mas ainda há muito mais para se conhecer no Equador a partir da capital. Além do passeio de trem já mencionado, há também tours de um dia para Mindo (floresta nublada nas encostas do Vulcão Pichincha), para Papallacta (fontes termais provenientes do vulcão ativo Antisana) e para subir diversos vulcões da região. Há gente também que se anima a ir até Baños, um dos lugares mais badalados para turismo de aventura no Equador. Isso sem falar nas ilhas Galápagos e na Amazônia.

Enfim, lugar bonito e interessante no Equador é o que não falta. Como não tinha tempo para explorar tudo isso, parti para meu próximo destino no país: Cuenca, tema dos posts seguintes, que ainda estão no forno.

Vox Populi

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