Roteiro pela Península do Peloponeso

Corinto
Oliveira com Templo de Apolo ao fundo, em Corinto

Como já disse no post introdutório a Atenas, sou uma pessoa teimosa. Quando se trata de planejar uma viagem para a Grécia, todo mundo pensa – e com razão – nas praias e em ilhas como Mykonos e Santorini. Mas não gosto muito de praia. Nem sou chegada a lugares caros e lotados de turistas. Por isso, resolvi montar um roteiro um pouco mais alternativo da Grécia, tendo, como um dos seus principais focos, a Península do Peloponeso.

Não que o Peloponeso não seja um destino para lá de procurado. Ao contrário, a península possui algumas das atrações mais famosas da Grécia, como Corinto, Micenas, Epidauro e Olímpia, ligadas a mitos que ouvimos desde criancinha. Há até passeios de bate e volta a partir de Atenas para essas cidades da Grécia Antiga. Só que decidi viajar pela região com mais tranquilidade, tentando percorrer os sítios arqueológicos com mais vagar e visitando outros lugares que são normalmente negligenciados.

Mesmo assim, o tempo que reservei para a região foi escasso diante de tudo o que há para fazer lá. E me arrependi muito de não ter conseguido ir à bizantina Monemvasia e às torres de Maní, perto de Kalamata. Por isso e para que ninguém repita o meu erro, resolvi indicar um Roteiro pela Península do Peloponeso que, agora, considero o ideal para alguém que esteja interessado em ser introduzido à região, já que, conhecer tudo, é impossível.

Roteiro pela Península do Peloponeso

Corinto & Acrocorinto

Templo de Apolo
Templo de Apolo, em Corinto

Saindo de Atenas (A), a primeira parada no Peloponeso, é em Corinto (B).

Durante o século VI a.C., a cidade foi uma das mais ricas da Grécia Antiga por causa de sua importante posição estratégica no Istmo de Corinto.

As principais atrações da cidade são o sítio arqueológico, com suas ruínas e museu, Acrocorinto, a fortaleza que fica no alto da montanha, e o canal que liga o mar Mediterrâneo ao mar Egeu.

Micenas

Por 400 anos (de 1600 a 1200 a.C), o reinado de Micenas foi o mais importante da Grécia. Seu rei Agamemnon e outros personagens a ele relacionados serviram de inspiração para a Ilíada e a Odisseia, de Homero, e para a trilogia Oresteia, de Ésquilo.

Entrada de Micenas pelo Portão dos Leões, insígnia da família real da Casa de Atreu

Micenas (C) consistia em uma cidadela fortificada em cima de um monte. A famosa Porta dos Leões, construída em aproximadamente 1.200 a.C, está logo na entrada. Acredita-se que os leões eram a insígnia da Casa Real de Atreu, pai de Agamemnon. Já dentro da cidadela, podem-se ver as ruínas do cemitério real, das casas e do palácio.

Outro ponto interessante a ser visitado é o chamado Tesouro de Atreu ou Tumba de Agamemnon, que fica um pouco antes da entrada do sítio arqueológico da cidade antiga.

Também há no complexo um museu que conta sobre as escavações.

Epidauro

O teatro de Epidauro, que ainda é utilizado para apresentações de tragédia grega

Epidauro (D) possui um dos mais bem preservados teatros clássicos gregos e também abriga as ruínas do Santuário de Asclépio, deus da medicina, também conhecido como Esculápio.

Náuplia

Náuplia ou Nafplio (E)  foi a primeira capital logo depois da independência grega dos turcos otomanos.

Está localizada perto dos sítios arqueológicos de Corinto, Micenas, Epidauro, Tirino e Argos e é uma excelente base para conhecer esses sítios arqueológicos.

A cidade, com seu casario veneziano, é muito charmosa e gostosa de ficar. Mas o mais imperdível mesmo é o loukoumades do Pergamonto. Delicioso!

Monemvasia

Monemvasia (F) é uma cidade de origem bizantina, construída em uma ilha rochosa ligada ao continente por uma passagem. Enquanto Mystras era o centro espiritual do Império Bizantino, Monemvasia servia como um dos principais entrepostos comerciais da época.

Esparta

As ruínas de Esparta

Impossível não lembrar de Esparta (G), a famosa cidade que rivalizava com Atenas nos tempos antigos, tendo vencido-a durante as Guerras do Peloponeso, sendo, porém, derrotada pelos tebanos, o que deu início ao seu declínio.

Tudo o que eu lia me dizia para não ir até lá. De fato, não sobrou muita coisa da cidade antiga. Mesmo assim, como sempre fui fascinada pelos espartanos, não consegui resistir.

No centro da cidade, está o Museu Arqueológico, que, apesar de pequeno, possui peças bem interessantes e é barato. Em outra parte da cidade, em frente ao seu pequeno estádio, fica a estátua de LeônidasAtrás do estádio, fica o sítio arqueológico, que está mais conservado do que eu imaginava (mesmo porque eu não esperava nada).

Mystras

Ruínas de Mystras, nas Montanhas Taygetos

Bem próxima de Esparta, está Mystras (H).

A fortaleza de Mystras foi construída pelo líder franco Guillaume de Villehardoin, em 1249. Mais tarde, foi conquistada pelos bizantinos, tornando-se capital do império de Miguel VIII Paleologos. A cidade, porém, acabou perdendo sua importância sob o domínio otomano.

Como Mystras se encontra nas encostas das Montanhas Taygetos, a visita, que dura em média umas três horas, envolve bastante subida e descida. O sítio arqueológico, acessível por duas entradas, está dividido em duas partes conectadas entre si: a cidade alta e a cidade baixa. Mas o esforço vale a pena!

Kalamata

Kalamata (I) é a capital da Messênia e a segunda maior cidade do Peloponeso, famosa por suas azeitonas. Pontos interessantes na cidade são o kastro, a pequena cidade antiga, que foi quase que totalmente destruída pelos turcos durante a Guerra da Independência, e o Museu Arqueológico de Messênia.

Apesar de não ter conseguido visitá-la, resolvi incluí-la no roteiro por servir de excelente base para conhecer as Torres de Maní, fortalezas familiares que pertenciam a clãs que brigaram entre si – e se mataram – ao longo dos séculos.

Olympia

Sítio arqueológico de Olympia

Olympia (J) é uma cidade pequenina, porém simpática, que oferece três atrações absolutamente imperdíveis: o Museu das Olimpíadas, o Museu Arqueológico de Olympia e as ruínas da cidade antiga onde foram criadas as Olimpíadas.

Nos posts seguintes, conto um pouquinho mais sobre esses lugares.

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Textos sobre Atenas:

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Contextualizando a história nos museus de Atenas

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Vox Populi

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