O futuro segundo o arquiteto Sou Fujimoto

"É uma caixa. Será que se move?"

Até o dia 04/02/2018, é possível visitar na Japan House a exposição SOU FUJIMOTO: FUTUROS DO FUTURO. A mostra exibe os principais projetos, tanto os já existentes como os ainda em execução ou em elaboração, do arquiteto japonês Sou Fujimoto. Talvez as peças mais surpreendentes, porém, sejam as “maquetes” expostas no térreo da Japan House. Realizadas com simples e inusitados materiais encontrados no cotidiano, são obras que nos guiam pelos meandros da mente criativa do arquiteto. É como se Fujimoto enxergasse possibilidades arquitetônicas em cada objeto da natureza e encontrasse maneiras de harmonizá-los com o ser humano.

O arquiteto Sou Fujimoto

Nascido em Hokkaido em 1971 e formado em arquitetura em 1994, o arquiteto Sou Fujimoto, que atualmente reside em Tóquio, já ganhou diversos prêmios e concursos internacionais com seus projetos. Um dos mais prestigiados foi a execução, em 2103, do pavilhão temporário da Serpentine Gallery, em Londres. À época com 41 anos, Fujimoto foi o profissional mais jovem a ser comissionado para o projeto, que no passado já levou a assinatura de nomes como Oscar Niemeyer, Frank Gehry e Zaha Hadid.

Fujimoto também é famoso pelas residências sem paredes, andares ou escadas definidas criadas no seu país de origem e conhecidas como casas NA, N e K. Segundo o próprio arquiteto, elas permitem novas possibilidades de uso e se parecem mais com cavernas do que com ninhos. Ninho, para ele, é algo construído pensando em quem vai habitá-lo, enquanto caverna é um local que surge independente de quem está lá dentro.

Conforme afirmou em uma entrevista há alguns anos à revista Vogue, “em um lugar assim, desenvolve-se uma interação criativa entre o espaço e seu habitante, que vai descobrindo novas formas de usá-lo e novas maneiras de viver”. E isso está em perfeita consonância com sua visão de futuro, quando a habitação “terá de lidar com a relação entre o ambiente e o homem, em vez de adaptar o espaço ao ser humano”. É, aliás, essa preocupação que se pode perceber na exposição “Futuros do futuro” da Japan House.

Sementes do futuro

Nos letreiros da exposição, o arquiteto explica que criar arquitetura é como plantar as “sementes do futuro”. Tais sementes não se referem, porém, a previsões ou suposições sobre aquilo que está por acontecer. Dizem respeito, ao contrário, a possibilidades e inspiracões que, apesar de estarem latentes em cada sociedade, passam despercebidas.

É por isso que seus projetos nunca começam por uma ideia abstrata de como será o futuro, mas, ao contrário, pelas perguntas mais essenciais da arquitetura. Onde, como e em que contexto social as pessoas viverão e o que significam “corpo e espaço”, “dentro e fora”, “natureza e homem” e a “relação entre indivíduos e sociedade” são as questões que permeiam o trabalho do arquiteto.

O que emana de sua visão de futuro são construções que, não obstante estarem no meio de cidades, podem ser consideradas quase bucólicas. Predominam nelas as transparências, onde o concreto se funde ao verde e ao ambiente ao redor. Taí um amanhã que me agrada!

Arquitetura encontrada

Fujimoto entende que a arquitetura é algo que primeiro se encontra e só depois se faz. E é justamente isso que se vê na primeira parte da exposição, localizada no térreo da Japan House.

Ali, um simples papel pardo amassado, uma flor, esponjas de banho, grampos de papel, bolinhas de ping-pong e até batatas chips viram habitações, prédios, praças e outras construções surpreendentemente possíveis.

Um elemento que poderia ser tratado como lixo de repente adquire um objetivo nobre e uma nova beleza, ao ser confrontado com figuras humanas em escala reduzida. O resultado é a criação de espaços arquitetônicos quase reais.

“Esses amassados são terreno, fluxo, estrutura e espaço. E simplesmente também são lixo.”

E estranhamente fascinantes.

Floresta de maquetes

E por falar em espaços reais, é no segundo andar da Japan House que estão as maquetes e fotos dos principais projetos criados pelo arquiteto.

Floresta de maquetes

Chamam a atenção a Casa de Música projetada para um parque de Budapeste; o edifício Arbre Blanc em Montpellier, França, que deve fica pronto neste ano; e o Beton Hala Waterfront Center de Belgrado, misto de praça, terminal de transporte público multimodal e centro comercial e cultural.

Nem todos os edifícios foram colocados de pé, mas todos impressionam pela capacidade em criar ambientes que estabeleçam uma relação harmônica e profunda entre a arquitetura e a natureza. “Não é apenas trazer o verde para os projetos. É pensar na estrutura de funcionamento da natureza e levá-la para o seu projeto, acho que essa é a chave da arquitetura do futuro”, esclarece Fujimoto.

O projeto que achei mais intrigante, porém, é o Particles of Light, no Souq Mirage. Foi concebido para uma enorme área comercial em uma cidade não revelada do Oriente Médio (aposto na cidade modernosa que a Arábia Saudita está construindo). Para proteger o interior do forte sol da região, Fujimoto criou um prédio composto por camadas de inúmeras pequenas grades. A torre conterá um espaço vazio, proporcionando ventilação natural e agindo como um enorme foyer na área comercial. A luz penetrará pelas grades, divindindo-se em pequenas partículas, as quais se espalharão pelo foyer.

Pelo jeito, vai ficar lindo!

E se for visitar a exposição, aproveite para passar no IMI Café, que fica no andar térreo, e provar um dos doces maravilhosos do café, enquanto aprecia os lindos livros da biblioteca da Japan House.

Informações Úteis:

Horário de funcionamentoTerça a sábado – 10h às 22h; Domingos e feriados – 10h às 18h; Segundas: fechado.

Onde? Japan House, Av. Paulista, 52 – São Paulo-SP, Brasil. Telefone: 55-11-3090-8900 

Quanto? A entrada é gratuita.

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