Uma Volta pela Terra do Gelo e do Fogo

A energia geotérmica é usada tanto na Central Geotérmica Krafla, para gerar energia, quanto para aquecer as águas de Jarobaðshólar ou "Mývatn Nature Baths”, uma Blue Lagoon menor e com menos gente. A piscina da foto corresponde à parte descartada e sua temperatura é elevadíssima.

A Islândia está na moda e muitos fatores contribuíram para isso. Inicialmente, o país começou a aparecer para valer nos noticiários de maneira negativa, por causa da crise financeira que enfrentou em 2008 e por causa da erupção do vulcão Eyjafjallajökull em 2010, que chegou a fechar o espaço aéreo europeu. Mas, desde então, todas as notícias em relação à Islândia vêm sendo positivas: o país conseguiu superar a crise e ainda prendeu os banqueiros responsáveis por ela, aprovou uma lei igualando salários de homens e mulheres e fez uma bela participação na última Eurocopa, sendo que até a sua original torcida deu um show. A ilha também é um dos melhores lugares para observar o fenômeno da aurora boreal e vem recebendo cada vez mais turistas, principalmente dos Estados Unidos, por causa da proximidade e dos voos cada vez mais frequentes e baratos. Como se já não bastasse tudo isso, a Islândia ainda serve de cenário para a série da HBO Game of Thrones. Há, inclusive, vários tours que levam para as locações da série.

Mesmo antes deste boom, o meu marido já era obcecado pela Islândia. Na verdade, desde criança, quando ele leu Viagem ao centro da terra, aventura infantil que Jules Verne escreveu em 1864. Não foi difícil me convencer a ir também. A perspectiva de viajar para qualquer lugar exótico já me faz feliz. E, ainda que eu soubesse ser impossível entrar no vulcão Snæffels e seguir a trilha encontrada por Arne Saknussemm, tinha absoluta certeza, assim como meu marido, de que iria adorar a Islândia. Mas mesmo diante de tantas e elevadas expectativas, nada nos havia preparado para a beleza que encontramos lá. Não vimos a aurora boreal, porque fomos no final da primavera. Em compensação, aproveitamos dias longuíssimos em que pudemos constatar com detalhes as forças opostas da terra em ação.

De um lado, vulcões adormecidos e ativos, gêiseres escandalosos, lava efervescente, poças com lama borbulhante e nuvens de fumaça de enxofre trazendo o cheiro do interior do planeta para a superfície. De outro lado, geleiras gigantes, neve, cachoeiras monumentais e o vento cortante. Ao mesmo tempo em que tudo parece estar em ebulição, por causa da intensa atividade geotermal, o gelo e o vento reconfiguram uma estranha e invulgar paisagem. O resultado? Ora um terreno lunar, onde a vida não parece prosperar, ora um campo verdinho, onde correm cavalos e ovelhas. É de chorar de emoção. Literalmente. Era só uma nesga de sol iluminar um pouco daquelas montanhas geladas cercadas por campos de lava que eu já me derretia inteira. Ainda mais quando tocava Crystals, do grupo islandês Of Monsters & Men no rádio.

O país é tão variado que serviu de locação para cenas do filme A vida secreta de Walter Mitty que se passavam não só na Islândia, mas também na Groenlândia, no Himalaia e no Afeganistão. É possível ir às suas principais atrações, como o Golden Circle e a Blue Lagoon, a partir de Reykjavík, onde vive a maior parte dos seus 320.000 habitantes. Mas dar uma volta por essa ilha descoberta pelos vikings (mais ou menos 1.4000 km pela estrada principal, a Ring Road), ainda que demore um pouco mais, vale muito a pena.

Foi o que fizemos.

Roteiro pela Islândia

1. Golden Circle

Nossa primeira parada logo depois de pegarmos o carro alugado no aeroporto (letra A no mapa) foi Laugarvatn (letra B no mapa), um pequeno vilarejo, mas repleto de atrações, que nos serviu de base para explorar a região conhecida como Golden Circle (Círculo Dourado).

Excluindo Reykjavík e Akureyri, a segunda maior cidade do país, todas as outras cidades são minúsculas, mas fornecem o básico e, muitas vezes, até mais. Em Laugarvatn, por exemplo, nos hospedamos em um flat, mas há a opção de ficar no Héraðsskólinn Boutique Hostel, um hostel charmosíssimo construído em uma antiga escola. Aliás, o café da manhã do hostel é imperdível. Além de gostoso, lá dá para preparar a sua própria sobremesa de skyr. Skyr é o delicioso iogurte islandês, feito com leite de ovelhas. É cremoso como o iogurte grego, mas eu o achei mais gostoso. E incrementado com geleia de frutas e granola, fica melhor ainda. Outras atrações do vilarejo são as piscinas de águas termais do Laugarvatn Fontana, que também tem um café muito gostoso, e o Restaurante Lindin, boa opção inclusive para os vegetarianos.

O chamado Golden Circle é uma rota que conta com sete atrações turísticas principais: o Vale Haukadalur, chamado incorretamente apenas de Geysir; a cachoeira Gulfoss; o Parque Nacional Þingvellir (letra C no mapa), Kerið, um lago em uma cratera vulcânica; a Igreja Skálholt, a vila Hveragerði, e a estação geotérmica Nesjavellir. Os três primeiros destinos são os mais visitados.

O Vale Haukadulur é uma área geotermal composta por gêiseres, fontes termais, fumarolas e poças com lama vulcânica.

Vale Haukadulur

Aliás, a palavra gêiser se originou no local. Até hoje está lá o Geysir original, mas não mais muito ativo. Já o Strokkur é superconfiável. Em média a cada nove minutos ele jorra jatos de água de em média 20m, podendo alcançar até 40m de altitude.

Strokkur em ação

Apenas 10Km depois dos gêiseres está a Queda d’água Gullfoss (Cacheira Dourada), que já serviu de cenário para a capa do álbum Porcupine do Echo & The Bunnymen. A cachoeira está no rio Hvítá e tem 32m de altura, sendo que a água mergulha num canyon de 70m de profundidade. Durante o século XX, muitos sugeriram que Gullfoss fosse utilizada para a geração de energia. O plano, no entanto, foi abandonado quando a filha do principal defensor da ideia ameaçou se jogar na cachoeira. A referência a esse episódio virou até uma expressão para sugerir que alguém está falando uma coisa idiota: “E depois o quê? Vender Gullfoss?”

Outra atração imperdível é o Parque Nacional Þingvellir, patrimônio da Unesco e local do Althing, o primeiro parlamento democrático do mundo, estabelecido pelos vikings em 930. No mesmo local, foi decidido, em 999 ou em 1000, que a Islândia se tornaria cristã. Também foi ali que foi proclamada a independência da Islândia em 1944, depois de muitos séculos de dominação dinamarquesa.

Local do Althing, o primeiro parlamento democrático do mundo, estabelecido pelos vikings em 930

Mas a maior atração mesmo do parque é poder observar de perto a Almannagjá, uma falha geológica decorrente da Deriva Continental entre as placas tectônicas Norte-americana e Eurasiática. Ano a ano, as duas placas estão se separando, abrindo fissuras na terra. Algumas dessas fissuras foram preenchidas pela água e há quem se anime a mergulhar com cilindros para ver mais de perto a separação entre as placas.

As placas tectônicas se separando um pouco mais a cada ano

O mais incrível é que o acesso a todos esses lugares, assim como todas as demais atracões naturais que conhecemos em nosso giro pela Islândia, foi gratuito. Somente em Kerið, um lago em uma cratera vulcânica, tivemos que pagar entrada. Mas ela foi bem barata.

 

2. Península de Snæfellsnes

Foi o vulcão localizado nessa península que serviu de inspiração para Jules Verne escrever o livro Viagem ao centro da terra. Sua principal atração é, obviamente, o Snæfellsjökull, o vulcão a 1446m que se encontra coberto por um glaciar. É possível andar de snowmobile pelo glaciar.

Snæfellsjökull

Mas na península também há diversos vilarejos e formações interessantes para se conhecer.

Ficamos hospedados em Hellnar (letra D no mapa), no Fosshotel Hellnar. Outra opção de hospedagem é o Hotel Búðir. Nos dois hotéis é possível ter um jantar agradável.

Na parte norte da península, está localizada Kirkjufell, uma montanha, próxima da cidade de Grundarfjörður, que, apesar de só ter 463m de altitude, é uma das mais fotografadas do país, muito provavelmente por causa de seu formato triangular e localização cenográfica.

3. Norte da Islândia

Akureyri (letra E no mapa), apesar de só possuir aproximadamente 20 mil habitantes, é a segunda maior cidade da Islândia. A cidade, com suas casinhas coloridas e sua igreja diferentona, é bem agradável.

Vista do fyord de Akureyri no começo da noite

Ela sempre terá um lugar especial no meu coração, pois foi lá que comi, na Hamborgarafabrikkan (hamburgueria supergostosa que também tem em Reykjavík), meu primeiro skyr cake, uma espécie de cheesecake feito com skyr.

O divino skyr cake da Hamborgarafabrikkan

Utilizamos a cidade como base para explorar algumas das principais atrações do norte do país: Goðafoss, Mývatn, Dettifoss e Sellfoss.

Goðafoss (Cachoeira dos Deuses) é assim chamada porque foi nela que, no ano 1000, Þorgeir Ljósvetningagoði jogou seus ídolos pagãos para simbolizar a adoção do Cristianismo pelos islandeses.

Goðafoss (Cachoeira dos Deuses)

Mývatn é, na verdade, um lago no meio de uma área vulcânica. O legal é dar a volta nele, parando para conferir os diversos cenários.

A beleza surreal de Mývatn

E haja variedade! Há falsas crateras e crateras verdadeiras; crateras secas e crateras com lagos; formações rochosas estranhíssimas; lama fumegante e fumarolas; usina geotermal e piscina natural, tudo isso ligado por uma rede de trilhas para aqueles que se atreverem a cobrir toda a região a pé.

A primeira parada que fizemos foi em Skútustaðagígar, falsas crateras foram formadas por explosões de gases que ocorreram quando a lava fervente fluiu sobre os pântanos. Depois vem Höfði, com suas estranhas formações de lava. Em seguida, Dimmuborgir, que mais parece uma floresta de lava. Mas, no folclore islandês, é o lugar que conecta a terra e o inferno.

Dimmuborgir

Depois passamos pelos vulcões Hverfell, cuja cratera está seca, e Krafla, com seu lago que estava começando a descongelar.

A cratera preenchida com um lago congelado do Vulcão Krafla

Visitamos até a caverna onde Jon Snow, de Game of Thrones, perdeu a virgindade com a Ygritte. O seu nome é Grjótagjá e, para chegar nela, pegamos a estrada errada (uma de terra e não a de asfalto), mas acabou sendo muito mais legal, porque pudemos ver as ovelhas de perto. Elas que não devem ter gostado muito da nossa presença…

A caverna Grjótagjá é agora mais conhecida como “love cave”, justamente por causa do episódio de Game of Thrones. Mas na verdade não é uma caverna, e sim uma fissura na lava com uma fonte de água. Antes era possível tomar banho nela, mas agora a água ficou mais quente do que o corpo humano consegue suportar.

Jon Snow esteve aqui!

Hverir é tudo aquilo que se espera de um lugar com intensa atividade vulcânica. O cheiro também! De longe, dá para sentir o cheiro – e até mesmo o gosto – de enxofre.

Hverir e sua lama vulcânica borbulhante

O lugar, como um todo, é de enlouquecer. Foi, com certeza, um dos melhores dias da viagem e justificou totalmente a nossa decisão de dar a volta na ilha. Para quem preferir ficar perto do lago, há várias opções de hospedagem nos vilarejos que se localizam ao redor do lago, sendo que o maior é Reykjalíð.

Outro lugar imperdível na região é Dettifoss, a queda d’água com maior fluxo de água da Europa e que aparece no filme Prometheus, e Selfoss, que fica bem perto.

Selfoss

4. Egilsstaðir

Utilizamos o vilarejo de Egilsstaðir (letra F no mapa) como pit stop entre o norte e o sul do país. Gostaria muito de ter conhecido os fiordes do leste, mas, infelizmente, não deu tempo. E para quem passar por lá, fica a dica para conhecer Litlanesfoss e Hengifoss, duas cachoeiras formadas por colunas de basalto que ficam relativamente próximas de Egilsstaðir. Só descobri a seu respeito meses depois de ter voltado para o Brasil.

 

5. Höfn

Höfn (letra G no mapa) é um dos maiores vilarejos do sudeste do país. Uma atração interessante do local é a Jöklasuning Glacier Exhibition, que dá uma boa ideia do que é uma geleira. Pensamos em nos hospedar lá, mas acabamos ficando no Fosshótel Vatnajökull, um pouco distante da cidade. O hotel, além de ser lindo, dá vista para Vatnajökull,  calota de gelo que ocupa 8% do território da Islândia. Não por acaso, é a maior da Europa. Comporta várias geleiras e vulcões abaixo da camada de gelo.

A estrada principal, a Ring Road, passa pelo lado sul da calota de gelo. No caminho, a grande atração é Jökulsárlón, um lago em que se podem ver pedaços milenares de gelo se desprendendo da geleira. O lugar é tão incrível que já foi cenário de diversos filmes, como Batman begins, Die another day, A view to a kill e Lara CroftBarcos anfíbios fazem o passeio dentro do lago, sendo que também dá para agendar passeios de caiaque para ver os icebergs mais de perto. Alguns desses pedaços vão parar no mar e, dependendo da maré, voltam para a praia, formando uma paisagem totalmente diferente.

Jökulsárlón, lago cheio de icebergs

A entrada para a calota de gelo de mais fácil acesso é em Skaftafell. Lá é possível agendar caminhadas pela geleira. Imperdível!

Passeio na geleira de Virkisjökull

No Parque Nacional de Skaftafell ainda há diversas quedas d’água (Hundafoss, Magnúsarfoss e Svartifoss), com colunas de basalto. Entre tantas opções, é difícil escolher a cachoeira mais bonita da Islândia. Mas se eu fosse obrigada a optar, ficaria com Svartifoss, que, aliás, serviu de inspiração para o arquiteto que projetou a Igreja de Reykjavík.

As colunas de basalto de Svartifoss

A exemplo de Mývatn, essa região também nos proporcionou outro momento incrível da viagem. O dia, que começou nublado, não prometia muito. Mas, depois que vimos o gelo esparramado na praia perto de Jökulsárlón, esquecemos completamente disso.

Trono de gelo

Já mais animados, contratamos o passeio na geleira e, surpresa, o sol abriu quando estávamos exatamente em cima dela. O dia, então, ficou lindo. Caminhamos pela trilha até Svartifoss e, na volta para o hotel, vimos a luz mais bonita de toda a nossa vida. Não dá nem para descrever o que sentimos. Nenhuma foto que tirei, do meio da estrada (não resisti!), dá conta de mostrar tanta beleza, daquele tipo que provavelmente iremos nos lembrar para sempre.

Voltando para o hotel, depois de um dia incrível

Foi uma experiência quase religiosa. Só me senti assim uma outra vez, quando estive nas ruínas do Castelo de Urquhart no Loch Ness e o sol abriu, iluminando todo o local.

E para completar um dia que já estava perfeito, descobrimos, no meio do caminho de volta para o hotel, um lugarzinho muito gostoso para jantar. Na verdade, trata-se de um museu dedicado a um escritor islandês, þórbergur þórðarson. Além do museu, o local conta com um hotel e um restaurante, onde comi uma truta do Ártico maravilhosa. E assim fechamos o dia com chave de ouro.

 

6. Vík

Vík (letra H no mapa), vilarejo no sul do país, serve como base para conhecer as praias de areia preta, como Reynisfjara.

Um belo dia de praia?

Também há formações rochosas originais e que já viraram símbolo da própria Islândia, como as pedras Reynisdrangar e o buraco na rocha em Dyrhólaey.

A região de Vík

No caminho em direção à Blue Lagoon, há algumas das mais famosas quedas d’água do país, Skógafoss, de onde sai uma trilha para o vulcão Hekla, o segundo mais ativo do país, e Seljalandsfoss, cachoeira em que dá para passar por trás da água. Também é interessante o Folk Museum, em Skógar.

Para quem tiver tempo, um lugar interessante para visitar é Landmannalaugar, região próxima ao vulcão Hekla, repleta de fontes termais e campos de lava. As suas piscinas naturais de fonte termal são bem conhecidas. Mas é bom alugar um 4X4 para andar por essa região e se informar antes sobre o estado das estradas.

Outra atração da região e que se pode ver da Ring Road está em Sólheimasandur, onde se pode ver um avião americano que sofreu um acidente por falta de combustível em 1973 (mas todo mundo que estava nele se salvou). O cânion Fjaðrárgljúfur também pode ser facilmente acessado a partir da Ring Road, assim como Seljavallalaug, a primeira piscina da Islândia, construída em 1923 para ensinar os islandeses a nadarem.

Por fim, para quem quiser visitar as ilhas de Vestmannaeyjar, sai uma balsa para lá de Landeyjahöfn. Dizem que a maior concentração de puffins (papagaios do mar) está justamente nessas ilhas.

 

7. Blue Lagoon

Blue Lagoon (Bláa lónið) fica a apenas 6km de Grindavík, (letra I no mapa), 19km do Aeroporto e 45km de Reykjavík, na península de Reykjanes. A Blue Lagoon é um spa geotérmico com águas ricas em dióxido de silício e enxofre. As águas desse complexo são quentes devido à atividade vulcânica. Após ser utilizada para gerar energia elétrica na usina geotérmica vizinha e para aquecer a água de municipalidades vizinhas, ela chega ao spa em temperaturas médias de 38°C.

Blue Lagoon

Trata-se da maior atração turística do país. Até os chineses já a descobriram. Mesmo assim, achamos o passeio divertido. E a máscara de sílica que todo mundo coloca na cara realmente faz maravilhas para a pele!

Blue Lagoon

Também gostamos de ficar no hotel pertencente à mesma rede que a da lagoa, o Blue Lagoon Clinic. O hotel fica literalmente no meio da lava.

O hotel no meio da lava

Parece coisa de outro planeta. E também tem uma piscina privada de águas termais.

Vista do nosso quarto

Na península de Reykjanes ainda há fontes de enxofre, semelhantes com as de Mývatn. A mais famosa é a de Seltún, na estrada 42. Outras atrações da região são Krysuvík, uma cidade abandonada; Kleifarvatn, uma lagoa cercada de cinzas vulcânicas; a ponte Mid-Point, que separa o continente americano do europeu e Hafnarfjordur, a “cidade de lava”, cujas praias de areia negra serviram de cenário para A conquista da honra, de Clint Eastwood.

 

8. Reykjavík

Finalmente chegamos à capital da Islândia (letra J no mapa).

Reykjavík foi fundada em 874 pelos vikings. O nome quer dizer “baía fumegante”, por causa das colunas de vapor encontradas por Ingólfur Arnason quando ele chegou ao local para construir sua fazenda. Atualmente, possui um pouco mais que 200 mil habitantes. É uma cidade agradável e tranquila, com exceção do final de semana, em que os islandeses viram a noite fazendo o runtúr, uma espécie de pub-crawl.

A tranquilidade de Reykjavík

A rua principal da cidade (pelo menos onde está a maior parte dos restaurantes e bares) é a Laugavegur. Empreendimentos sui generis podem ser encontrados por lá, desde um bar inspirado no filme dos irmãos Coen O grande Lebowski, passando por outro que homenageia o ator Chuck Norris e terminando em Sportsbar que se autointitula “husband daycare center”. Definitivamente, não dá para dizer que os islandeses não têm senso de humor.

Um dos points mais famosos da cidade é a Hallgrímskirkjaa maior igreja da Islândia com cerca de 75 metros de altura. O nome é uma homenagem ao clérigo e poeta Hallgrímur Pétursson, que escreveu os Hinos da Paixão, uma coleção de 50 canções religiosas para serem cantadas durante os dias úteis da quaresma. Na frente da entrada principal da igreja está a estátua do explorador Leif Eriksson, que possivelmente foi o primeiro europeu a pisar em solo americano onde hoje é Newfoundland (Terra Nova), no Canadá, cerca de 500 anos antes de Colombo chegar às Américas.

As formas da Hallgrímskirkja lembram as colunas de basalto presentes em várias regiões do país

Outro lugar imperdível é a Harpa, a casa de concertos da cidade, com sua estrutura formada por molduras em aço de figuras geométricas preenchidas por vidros coloridos, que mudam de tonalidade conforme a luz do dia.

A linda Harpa

O local já apareceu até na série Sense8, do Netflix.

O interior da Harpa

Para quem, como eu, é fascinado pela história dos vikings, um dos melhores lugares para aprender um pouco mais sobre o assunto é o Saga Museum. Saga é o nome dado às histórias orais dos aventureiros vikings que depois foram compiladas em livros pelos islandeses. Embora sejam fantasiosas e exageradas, essas sagas são importantes fontes de conhecimento sobre os costumes e as realizações vikings e continuam inspirando obras ficcionais, como a série Vikings. Uma visita ao National Museum of Iceland e à The Settlement Exhibition são igualmente bem interessantes. Foi nessa exibição que aprendi um pouco sobre o alfabeto rúnico que os vikings utilizavam.

Próximo ao  Tjörnin (o lago que fica no centro da cidade) está a National Gallery of Iceland, a Fríkirkjan e a Ráðhús (prefeitura), onde também há exibições de arte e uma maquete da Islândia. Parece que o Perlan, que fica um pouco afastado, tem vistas são muito bonitas, mas não tivemos tempo para ir até lá. E a Höfði House, que fica um pouco mais distante do centro – mas perto do Hamborgarafabrikkan, onde comi meu segundo skyr cake da viagem -, tem importância histórica. Foi lá que Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev selaram o fim da Guerra Fria.

Tjörnin

Em toda a Islândia, há piscinas termais, tanto naturais quanto artificiais, além das que já comentei. Muitas são públicas. Em Reykjavík, uma das mais famosas é a Laugardalslaug, cuja admissão, com o Reykjavík City Card, é gratuita. E existe até uma praia, a Nauthólsvík, com uma lagoa oceânica aquecida.

Também saem de Reykjavík diversos barcos que fazem passeios para ver as baleias e os fofíssimos papagaios do mar (os puffins). Há restaurantes que servem a carne desses animais, mas não tive coragem – nem vontade – de comê-los. E por falar em comida – não cheguei a ir, mas me foi super bem recomendado -, há o Fiskfélagið (Fish Company), que serve um menu degustação típico islandês. Parece ser o legal na Islândia para ter uma refeição especial.

Quem sabe não vou quando eu voltar para lá? Porque de uma coisa eu tenho certeza: eu ainda hei de voltar para essa terra de gelo e fogo.

2 Comentário

    • Idi, muito obrigada! Fomos para a Islândia no começo de junho. O ideal é ir um pouco depois, no verão mesmo, mas aí os preços começam a aumentar mais e o número de turistas também. Dá a dica para o Beto. O país é sensacional e renderia um Grand Tour maravilhoso!

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